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Coluna de Fred Figueroa: Série de “passos em falso”, do presidente do país aos das federações

Na última semana, o processo de discussão em torno do retorno do futebol brasileiro saiu da incerteza para a bravata. E, para piorar, ainda foi trazido para o insano jogo político que rege o país. Era uma semana crucial para que algum horizonte seguro fosse projetado, afinal chegaria ao fim o período de férias antecipadas dos jogadores. Mas, efetivamente, nada aconteceu. No lugar de projetos concretos, palavras jogadas ao vento para defender interesses cada vez mais insustentáveis. Do presidente da República aos presidentes das federações. Uma série de passos em falso. Toda semana tenho analisado aqui os movimentos para a retomada do futebol em todo mundo e, no Brasil, nos últimos 7 dias saímos do nada para o lugar nenhum.
Em um momento de forte turbulência política e perda gradual de popularidade, o presidente Jair Bolsonaro decidiu incluir o futebol em sua pauta de enfrentamento ao isolamento social decretado pelos governadores em todos os estados. Começou dizendo que apoiaria o retorno e jogou pressão para que o Ministério da Saúde emitisse um parecer favorável. Um constrangedor parecer, diga-se de passagem. Até porque este foi lançado no mesmo dia que o novo ministro Nelson Teich deu uma entrevista afirmando que não há como pensar em reduzir o isolamento e que a situação da Covid-19 no país está em uma curva de crescimento. O ministro admite a possibilidade de, nos próximos dias, o Brasil passar a registrar uma média de 1.000 mortes diárias. Retomar o futebol, como qualquer outra atividade, é um enorme contrassenso neste momento.
No mesmo parecer, inclusive, o Ministério da Saúde exige medidas da CBF como a constante testagem rápida de todos os envolvidos com os treinamentos e os jogos oficiais. E, mais uma vez, Teich deixa claro que o país não tem esses testes à disposição. Estão em escassez no mercado. E, convenhamos, iria além do contrassenso que o futebol comprasse testes que poderiam ser utilizados pelas secretarias de saúde ou mesmo para profissionais de outras atividades essenciais.
Ou seja, todo este movimento iniciado numa declaração de Bolsonaro não passa de jogo de cena político. Oco. Desprovido de qualquer consistência técnica ou da mínima garantia de segurança. A prova mais clara disso está no cenário internacional. Países em estágios muito mais avançados do controle da pandemia ainda não autorizaram o reinício das competições. Pelo contrário. Alguns encerraram a temporada (que acabaria em junho), cancelando os campeonatos que estavam em sua reta final. Casos da França, Holanda, Bélgica e Argentina.
Na Alemanha, país que deve ser o primeiro a retomar o futebol – e cujo protocolo e experiência deve servir de norte para os demais centros – o governo federal vetou o projeto de reiniciar a Bundesliga no próximo sábado. A expectativa foi adiada para o dia 16, ainda sem autorização oficial. Na última sexta-feira, o Brasil registrou quatro vezes mais mortes que a Alemanha. E o mais importante: Aqui a curva é ascendente. Lá o pico aconteceu no dia 8 de março com 333 mortes. A redução foi lenta – e não há como ser diferente – mas começa a entrar em sua reta final. O cuidado para evitar uma segunda onda de contaminação é imenso e, por isso, o protocolo para o retorno de futebol é extremamente rígido. Dificilmente o Brasil teria estrutura para segui-lo, sobretudo se ainda levarmos em consideração a chance de retomada dos Estaduais.
A sensação é que, por aqui, continuamos alimentando uma nociva ilusão de “breve retomada da normalidade” para atender todos os interesses possíveis: CBF, clubes, federações, TVs, patrocinadores e agora até políticos. Verbos como “garantir” e “acreditar”, na verdade, se resumem a “torcer”. Ninguém pode garantir nada. Ninguém tem base para acreditar em uma data. Infelizmente não há como preservar todos os interesses. Escolhas serão inevitáveis e já deveriam estar sendo tomadas. O eixo principal de um clube de futebol é planejamento. E hoje isso é impossível. Quando países como França e Argentina cancelam suas temporadas previamente é justamente para permitir que toda a estrutura do futebol possa ter um norte e ser planejada.

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Por isso não tema, pois estou com você;
não tenha medo, pois sou o seu Deus.
Eu o fortalecerei e o ajudarei;
eu o segurarei
com a minha mão direita vitoriosa.
Isaías 41:10